Como Calcular o CUB e Entender o Reajuste de Apartamento na Planta 2026
O que é o CUB e como é calculado
O CUB — Custo Unitário Básico de Construção é um índice criado pela Lei 4.591/64 (Lei de Incorporações Imobiliárias) para medir a evolução dos custos da construção civil no Brasil. Ele é calculado mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de cada estado (em São Paulo, o Sinduscon-SP) com base em uma cesta de insumos representativos da construção: mão de obra, materiais (aço, cimento, areia, tijolos, etc.), equipamentos e despesas administrativas de obra.
O CUB não é um índice único — há várias categorias de CUB, calculadas para diferentes padrões de projeto: residencial alto padrão (R16-A), residencial normal (R8-N), residencial baixo padrão (PP4-N), comercial sala/escritório (CSL-8), entre outros. O contrato de compra na planta especifica qual categoria de CUB será usada — e isso importa muito, pois diferentes categorias evoluem de forma diferente ao longo do tempo.
Em São Paulo, o Sinduscon-SP divulga os índices mensalmente. O CUB-SP Residencial Normal (R8-N) é o mais usado nos contratos de incorporações residenciais de médio e alto padrão na cidade. Você pode consultar os valores históricos e atuais diretamente no site do Sinduscon-SP (sindusconsp.com.br).
Como funciona o reajuste pelo CUB na planta
Em um contrato de compra de apartamento na planta, o saldo devedor (valor que ainda está sendo pago durante as obras) é reajustado mensalmente pelo CUB. Isso significa que o valor que você deve à construtora aumenta todo mês pelo índice do mês anterior — refletindo o aumento real dos custos de construção. O objetivo do legislador ao criar esse mecanismo foi proteger as construtoras do risco de construir um imóvel cujos custos sobem mas o preço está congelado.
Na prática, funciona assim: você assina o contrato por R$500.000 e dará R$100.000 de entrada. O saldo devedor de R$400.000 será reajustado pelo CUB mensalmente durante as obras (geralmente 30 a 48 meses). Se o CUB acumular 25% nesse período, você entregará R$500.000 à construtora ao invés de R$400.000 — um reajuste de R$100.000 apenas no saldo devedor. As parcelas mensais pagas durante as obras (que amortizam o saldo) também são reajustadas pelo mesmo índice.

Simulação de reajuste pelo CUB: exemplo prático
| Período | Saldo Devedor Inicial | CUB Acumulado | Saldo Reajustado |
|---|---|---|---|
| 12 meses (1 ano) | R$ 400.000 | 8% | R$ 432.000 |
| 24 meses (2 anos) | R$ 400.000 | 17% | R$ 468.000 |
| 36 meses (3 anos) | R$ 400.000 | 27% | R$ 508.000 |
| 48 meses (4 anos) | R$ 400.000 | 38% | R$ 552.000 |
Esta simulação usa um CUB médio de 8% ao ano — próximo da média histórica do CUB-SP. Em períodos de inflação mais alta (como 2021, quando o CUB-SP atingiu mais de 20% no ano), o impacto do reajuste foi muito maior para compradores na planta. Em períodos de inflação mais baixa (2017-2018), o CUB ficou abaixo de 5% ao ano.
Outros índices usados em contratos na planta
Além do CUB, outros índices são usados em contratos de compra na planta: o INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) da FGV é muito comum, especialmente em projetos de incorporadoras nacionais. Funciona de forma semelhante ao CUB, mas é calculado com metodologia diferente e pode ter variações distintas. O INPC e o IPCA (índices de inflação ao consumidor) são usados em alguns contratos do programa Minha Casa Minha Vida e outros programas habitacionais. O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) era comum em contratos mais antigos, mas caiu em desuso nos novos lançamentos após a volatilidade extrema de 2020-2021.

Como negociar o índice de reajuste no contrato
Em incorporadoras de grande porte e em mercados aquecidos, a negociação do índice de reajuste é difícil — os contratos são padronizados e a construtora raramente aceita mudanças. Mas em incorporações menores, em períodos de mercado mais fraco, ou em lançamentos com estoque difícil de vender, há espaço para negociar: você pode tentar limitar o reajuste do CUB a um teto percentual anual, substituir o CUB por IPCA (historicamente mais baixo), ou negociar um desconto compensatório no preço que leve em conta o reajuste esperado.
O mais importante é que o comprador entenda exatamente qual índice está no contrato, como ele é calculado, com que periodicidade é aplicado e sobre qual base (saldo devedor total ou apenas saldo remanescente após amortizações). Leia atentamente o capítulo de reajuste do contrato e, se tiver dúvidas, consulte um advogado imobiliário antes de assinar.
CUB-SP 2024 e 2025: histórico recente
O CUB-SP R8-N encerrou 2024 com variação acumulada de aproximadamente 6,8% no ano — abaixo da média histórica de 8% e bem abaixo do pico de 2021 (quando superou 20%). Em 2025, o índice mostrou tendência de leve aceleração acompanhando a pressão sobre materiais de construção e mão de obra especializada. Para a maioria dos contratos ativos em 2024-2026, o reajuste pelo CUB tem sido suportável — mas compradores com contratos mais longos (acima de 36 meses de obras) ainda acumulam um reajuste significativo no período total.
Eliezio Souza analisa contratos na planta e explica em detalhes o impacto do CUB na sua compra antes de você assinar.
💬 WhatsApp: (11) 97111-8620
